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Ultrarricos descolam imóveis de luxo da crise do alto padrão em SP - Portas

Mesmo com estoque elevado no alto padrão, o topo do mercado segue aquecido por escassez, pagamento sem financiamento e busca por exclusividade

Ultrarricos descolam imóveis de luxo da crise do alto padrão em SP - Portas

Por Nathalia Costeira

O mercado de alto padrão em São Paulo enfrenta sinais de estagnação, mas o segmento de luxo voltado a ultrarricos opera com dinâmica própria. Segundo dados citados pela Forbes, os “Ultra-High-Net-Worth Individual”, pessoas com patrimônio líquido superior a US$ 30 milhões, já somam 713 mil no mundo. É um crescimento de 30% em 5 anos.

Segundo o Secovi-SP, unidades com mais de quatro dormitórios chegaram a 26 meses de estoque na capital, enquanto imóveis acima de 180 m² ficaram em 23 meses. É o pior patamar de estoque desde 2017. No topo, porém, o mercado continua aquecido.

Entre os ultrarricos, a decisão de compra depende menos de crédito e mais de patrimônio, localização e diferenciais. Fontes do setor ouvidas pela Forbes apontam que imóveis acima de R$ 10 milhões ou R$ 20 milhões seguem mais resilientes, especialmente em bairros como Jardins, Itaim Bibi e Vila Nova Conceição.

Preço subiu, mas demanda não sumiu

A referência de preço mudou rapidamente. Antes de 2020, um metro quadrado de R$ 30 mil era visto como o patamar mais alto do luxo paulistano. Hoje, incorporadoras citam imóveis de R$ 60 mil a R$ 70 mil por m², com casos que chegam a R$ 80 mil.

Mesmo nesse patamar, a demanda permanece ativa. A Lucio Incorporadora informou que vendeu 70% das unidades do Enora Residence em menos de um ano, em um produto acima de R$ 50 mil por m² e com cobertura chegando a R$ 70 mil por m².

Escassez e infraestrutura pesam na escolha

A escassez de terrenos nos endereços mais desejados aumenta a pressão por produtos exclusivos. O eixo Jardins-Itaim Bibi-Vila Nova Conceição segue central, mas empreendimentos também avançam para regiões próximas, como a Avenida Rebouças.

Os atributos esperados pelos compradores também subiram de patamar. Concierge, porte-cochère, arquitetura e paisagismo assinados, restaurante, quadra de tênis, vista privilegiada e itens de wellness, como sauna e banheira de gelo, deixaram de ser apenas diferenciais em muitos projetos.

Mudanças familiares também geram compra

Além da lógica patrimonial, fontes ouvidas pela Forbes apontam decisões familiares como gatilhos de compra. Saída dos filhos de casa, busca por unidades menores com a mesma infraestrutura e divórcios ajudam a movimentar o segmento.

Nesse público, o movimento costuma ser menos um downgrade e mais um downsize: o comprador aceita reduzir metragem, mas não abre mão de localização, serviços e qualidade percebida.

Conteúdo publicado originalmente por Portas e reproduzido pela ABECIP para fins informativos.

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