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Construtoras pedem corte de juros no Minha Casa, Minha Vida – Estadão

Pleito levado ao governo envolve as faixas 3 e 4 do programa habitacional

Construtoras pedem corte de juros no Minha Casa, Minha Vida – Estadão

Por Circe Bonatelli

Representantes do setor de construção levaram ao governo federal o pleito de um novo ajuste no Minha Casa, Minha Vida. O que está na mesa é um pedido de redução dos juros praticados nas faixas 3 e 4 do programa - que se tornou o grande motor do mercado imobiliário nacional. Atualmente, mais da metade dos lançamentos e das vendas de imóveis residenciais novos no País estão enquadrados no Minha Casa.

A Coluna apurou que há duas conversas em andamento, embora ainda em fase inicial, sem uma proposta formal definida. Uma delas prevê o corte de 1 ponto percentual na faixa 3 (de 8,16% para 7,16% ao ano) e na 4 (de 10% para 9% ao ano).

A outra possibilidade seria segmentar as faixas 3 e 4, criando taxas intermediárias de acordo com a renda. Por exemplo: a faixa 3 atende famílias com renda mensal entre R$ 5 mil e R$ 9,6 mil, com taxa de 8,16% para todos. Com o ajuste, os beneficiários que ganham perto de R$ 5 mil teriam uma taxa um pouco menor que os atuais 8,16%, enquanto aqueles que ganham perto de R$ 9,6 mil pagariam um pouco acima disso.

Planalto fez ajustes recentes

O programa já passou, em março, por elevações das faixas de renda e do preço máximo dos imóveis elegíveis. No entanto, o que está por trás do novo pedido de ajustes foi o aumento relevante nos custos de materiais ao longo dos últimos meses. Isso tem levado as construtoras a subir o preço de vendas para preservar as margens de lucro. Por outro lado, algumas empresas têm notado mais dificuldade em realizar as vendas.

A situação é melhor na faixa 1 e 2, que têm juros menores e subsídios maiores para compor o pagamento da entrada. Nas faixas 3 e 4, não há esse subsídio para ajudar na entrada. “O cliente que ganha um pouco mais de R$ 5 mil não está conseguindo acompanhar os novos preços”, disse uma fonte, reservadamente.

O tema foi discutido com o Ministro das Cidades, Vladimir Lima, durante evento organizado pela Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) em São Paulo, nesta quinta-feira, 25. Durante painel com o representante da pasta, o empresário Ronaldo Cury, diretor da Cury Construtora, aproveitou a sessão de perguntas para expor a situação. “Precisamos de um novo ajuste, ministro”, disse, da plateia. “A guerra [no Irã] trouxe aumento de custos, ninguém esperava isso. Bagunçou tudo. Então, todo mundo teve que subir preço para se proteger.”

Lima evitou fazer uma avaliação sobre a possibilidade de o governo acolher o pleito. “O Minha Casa, Minha vida é um programa dinâmico, e a gente está o tempo todo analisando”, comentou, acrescentando que a taxa de juro no segmento já é a “menor da história”.

Conteúdo publicado originalmente por Estadão e reproduzido pela ABECIP para fins informativos.

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