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Brasileiros voltam a depositar mais do que sacar dinheiro da poupança – Valor Investe

Mesmo com a Selic alta e a renda fixa pagando bem, depósitos na caderneta fecharam o mês de maio no "azul"

Brasileiros voltam a depositar mais do que sacar dinheiro da poupança – Valor Investe

Por Larissa Maia

Mesmo com a Selic em dois dígitos, os depósitos em caderneta de poupança superaram os saques em maio deste ano, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (9). No mês passado, a captação líquida (diferença entre entradas e saídas) foi positiva em R$ 2,604 bilhões. Ao todo, os brasileiros depositaram R$ 368,3 bilhões e sacaram R$ 365,7 bilhões da poupança.

No mesmo período do ano passado, a captação líquida foi de R$ 336,8 milhões, enquanto em abril deste ano, o saldo foi negativo em R$ 476,4 milhões.

O rendimento no período foi de R$ 6,1 bilhão, totalizando R$ 1,01 trilhão de saldo na caderneta de poupança.

Por que isso importa?

Há dois impactos gerais nessa matemática: para o financiamento habitacional no país e para o bolso dos próprios investidores.

A poupança continua sendo um importante funding (fonte de financiamento) para o crédito imobiliário no país.

Até outubro do ano passado, 65% dos depósitos da poupança precisavam, obrigatoriamente, ser aplicados pelos bancos em crédito habitacional; 20% eram depositados compulsoriamente no Banco Central; e 15% tinham livre aplicação. Esse modelo, contudo, limitava a expansão do crédito em momentos de queda nos saldos de poupança.

A reforma permite uma elevação gradual para que 100% dos recursos provenientes dos saldos da poupança possam ser utilizados em financiamentos imobiliários. Segundo o governo federal, a medida viabiliza mais recursos para financiamento habitacional e beneficia, sobretudo, as operações realizadas dentro das regras do SFH para classe média, que dependiam do dinheiro depositado nas cadernetas de poupança.

Na prática, isso significa que, quanto mais valores forem depositados na poupança, mais crédito será destinado ao financiamento de imóveis.

No entanto, atualmente está havendo um período de transição e o novo modelo deverá ter plena vigência a partir de janeiro de 2027. Até lá, fica valendo o direcionamento obrigatório atual.

Já para os investidores, embora o valor seja importante para o crédito habitacional, retorno da poupança fica em torno de 70% de quanto forem os juros de referência.

Quando a taxa supera os 8,5% (não importa se 8,75% ou 20%, por exemplo), a remuneração da poupança é limitada a 0,5% ao mês, ou 6,17% ao ano, mais a variação da taxa referencial (TR), regra conhecida como a da "poupança velha".

Conteúdo publicado originalmente por Valor Investe e reproduzido pela ABECIP para fins informativos.

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