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Bancos veem chance para Crédito Imobiliário passar de 11% do PIB, mas juro e funding são gargalos - Broadcast

O crédito imobiliário tem espaço para aumentar a sua representatividade perante o Produto Interno Bruto (PIB). Entretanto, precisa ultrapassar barreiras que envolvem desde a oferta de recursos para abastecer os financiamentos até um patamar mais baixo de juros.

Bancos veem chance para Crédito Imobiliário passar de 11% do PIB, mas juro e funding são gargalos - Broadcast

Por Circe Bonatelli

A visão foi compartilhada pelos executivos do setor imobiliário dos principais bancos do País, que participaram nesta terça-feira, 18, do evento Abecip Summit, organizado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

O crédito imobiliário no Brasil vem crescendo ao longo dos anos e está, hoje, na faixa de 11% do PIB nacional. Há uma década, estava mais perto de 5%. Por outro lado, é um patamar ainda baixo em comparação com outros países, como África do Sul (23%), Chile (26%), EUA (41%) ou Reino Unido (56%). “Isso pode ser interpretado como uma oportunidade para crescimento”, apontou o presidente da Abecip, Michel Cury. “Não vejo como um gargalo”.

A vice-presidente de habitação da Caixa Econômica Federal, Inês Magalhães, concordou que há espaço para crescimento. No banco público, a previsão é de ampliação dos financiamentos na ordem de 10% para este ano, movida por linhas com recursos de poupança e com recursos do FGTS. Ela ponderou, entretanto, que o crescimento deve ser planejado com cuidado, sem soluções heterodoxas. “Não tem bala de prata”, ressaltou.

A vice-presidente disse que a demanda para aquisição da casa própria continua aquecida, especialmente entre famílias de menor renda, pressionadas pelo aluguel ou em moradias precárias. Mesmo com uma demanda firme, ela apontou que o custo do funding e a estabilidade macroeconômica são elementos fundamentais para a evolução do setor.

O vice-presidente executivo do Bradesco, José Ramos Rocha, elogiou o fato de que a inadimplência da carteira de crédito imobiliário no setor está baixa e estável, na ordem de 1%, apesar do quadro de endividamento elevado das famílias. “A inadimplência é baixa no crédito imobiliário. O cliente deixa de pagar outras dívidas, mas não o imobiliário”, observou, acrescentando que esse tema não pesa na decisão de concessão do financiamento setorial.

Já para o crescimento do crédito imobiliário no longo prazo, Rocha defendeu que o Brasil precisa de um ajuste mais estrutural, que garanta a redução da taxa básica de juros. “A taxa de juros é fundamental. Não adianta a gente se iludir, nem se comparar com outros países que têm juros baixos”, disse. “E a estabilidade também conta. O gráfico do histórico da taxa de juros no Brasil parece um eletrocardiograma”, brincou.

Para o vice-presidente de Varejo do Santander, Ede Viani, o quadro econômico nacional exige atenção, especialmente em relação ao endividamento da população e a menor capacidade de pagamento. “Vivemos em um cenário de inadimplência complexo. Por mais que o crédito imobiliário esteja blindado, há um cenário de indisponibilidade de renda”, observou. “Isso faz com que a capacidade da população se financiar fique restrita”.

O diretor de Estratégia, Planejamento, Clientes e Necessidades do Itaú, Flávio Iglesias, defendeu melhorias no arcabouço jurídico e regulatório, de modo a dar mais segurança para as instituições financeiras na concessão de empréstimos. “A demanda por crédito existe, mas a oferta muitas vezes fica limitada ao que a instituição acredita que irá acontecer lá na frente”, apontou. Já pelo lado positivo, Iglesias citou que a chegada da inteligência artificial ajudará a agilizar a contratação de empréstimos, além de ajudar os bancos a melhorar seu processo de análise de crédito.

Já o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt, avaliou a escassez de recursos como o maior gargalo para a evolução sustentável do crédito imobiliário. “A falta de funding de longo prazo é a principal barreira para expansão”, apontou.

Conteúdo publicado originalmente por Broadcast e reproduzido pela ABECIP para fins informativos.

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